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Wajngarten é acusado de mentir na CPI e ameaçado de prisão


Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, na CPI (Jefferson Rudy/Senado)

O ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten teria mentido em seu depoimento à CPI da Covid no Senado, nesta quarta-feira (12), pelo menos em três questões relacionadas ao governo. Uma delas, ao afirmar que não tinha conhecimento sobre a existência de um “ministério paralelo”, ao contrário das declarações que deu à revista Veja em relação às negociações de que participou diretamente com representantes da Pfizer para a aquisição de vacinas. O ex-chefe da Secom chegou a ter sua ordem de prisão requerida pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB), logo após a CPI ter acesso às gravações da entrevista. Mas o pedido, ao final da sessão, não foi acatado.

Na entrevista concedida à Veja, fica claro que ele teve, sim, acesso inclusive aos preços negociados pela farmacêutica com o governo. Em um trecho da gravação, ele diz que as negociações das quais ele participou teriam avançado e a empresa teria oferecido um valor abaixo de US$ 10 por dose. O valor é inferior aos US$ 10 dólares pagos pelo Ministério da Saúde no primeiro contrato que prevê a entrega de 100 milhões de doses ao governo brasileiro.

“Vossa senhoria é a prova da existência dessa consultoria [paralela] porque iniciou essa negociação, dizendo-se em nome do presidente. É a prova. Vossa excelência é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República”, afirmou Renan.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) foi na mesma linha do relator e ameaçou dispensar o ex-chefe da Secom como testemunha para convocá-lo como investigado.

"Com todo o respeito que o senhor merece aqui na comissão, se vossa excelência não for objetivo nas suas respostas, nós iremos dispensá-lo desta comissão, pediremos à revista Veja que mande a degravação e o convocaremos de novo, mas já não mais como testemunha e sim como investigado", declarou.

Mais mentiras

Wajngarten disse que teve três encontros com representantes da Pfizer na tentativa progredir a negociação de um acordo de compra de vacinas, e que os encontros foram registrados na agenda oficial. No entanto, sua agenda oficial não contém nenhum registro nas datas informadas de reuniões com a farmacêutica, quando, por lei, audiências entre servidores públicos e entes privados precisam ser registrados oficialmente.

Renan Calheiros (MDB-AL) apontou outra mentira de Wajngarten, destacando que a campanha "O Brasil não pode parar", do jornalista Otávio Mesquita, era contrária ao isolamento social e não a favor como disse o ex-chefe da Secom.

"Na primeira campanha, Otávio Mesquita já falava sobre álcool em gel e uso de máscaras. Faz parte do cunho criativo. Assim como usamos jogadores em outros momentos", disse Wajngarten.

"Otávio é contra o isolamento social. A campanha foi essa", reagiu o relator da CPI, ainda acrescentando: "O senhor já abusou deste expediente em algumas oportunidades".

A campanha "O Brasil não pode parar" não recomendou o isolamento social e num dos trechos aconselha: "Não precisa sair correndo para o hospital por causa de um simples resfriado."

A peça teve como participantes pessoas públicas reconhecidas como bolsonaristas, como o jogador Felipe Melo, do Palmeiras, o jornalista Ernesto Lacombe, o apresentador Sikêra Jr., o chef de cozinha Carlos Bertolazzi e o cantor Zezé Di Camargo.

O senador voltou a questionar o depoente sobre quem o orientava a não incentivar a vacinação contra a Covid-19.

"As manifestações do presidente pertencem a ele. As minhas conversas com ele eram sempre sobre a forma e técnica da imprensa", respondeu Wajngarten.

Em várias ocasiões, o presidente da república deu declarações contrárias a recomendações da ciência, na contramão do que seria uma campanha de conscientização da população sobre os sérios ricos na pandemia. Apesar de reconhecer que foram gastos milhões de recursos públicos na campanha, sobre esse posicionamento de Jair Bolsonaro, ele apenas respondeu: "As manifestações do presidente pertencem a ele".

A CPI da Covid retoma seus trabalhos nesta quinta-feira (13) com o depoimento do gerente-geral da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo.

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