"É sífilis?": campanha da SBDST alerta para aumento da doença
- 8 de out. de 2025
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Este ano, o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, lembrado em 19 de outubro, traz mais um alerta sobre o aumento alarmante de casos da doença no Brasil e que, segundo Mauro Romero Leal Passos, médico ginecologista e professor titular chefe do Setor de DST da Universidade Federal Fluminense (UFF), configuram uma grave crise de saúde pública. Em 2025, a Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), através do perfil no instagram, lança uma campanha que se resume à pergunta-chave: "É sífilis?"

A campanha propõe uma reflexão profunda e imediata sobre as práticas e estratégias no enfrentamento da doença. E destaca que a sífilis tem cura simples e acessível (com uso de penicilina). Para o especialista em DST, o alto número de casos reflete falhas no diagnóstico precoce, no tratamento dos parceiros e no acolhimento humanizado.
Mauro Romero explica que não se trata apenas de informar. Também é preciso mobilizar profissionais de saúde e gestores "para que assumam suas parcelas de responsabilidade na reversão deste cenário".
"Não podemos mais aceitar que uma doença como sífilis congênita, de tratamento tão simples, continue a ceifar vidas e a comprometer o desenvolvimento dos bebês. A pergunta 'É sífilis?' é um espelho. Queremos que os profissionais se perguntem: 'E a minha atitude? E a minha estratégia? O que eu estou fazendo de diferente para reverter esses números?'", avalia.
O médico esclarece que a campanha transforma a pergunta em "um chamado à ação, estabelecendo pilares de conduta essenciais que precisam ser internalizados por toda a rede de saúde".
Por que a mudança é urgente?

"O crescimento exponencial da sífilis, especialmente a forma congênita que afeta recém-nascidos, é um indicador de que as atuais estratégias de saúde não estão sendo suficientes ou aplicadas com a devida seriedade", garante ele.
"Acreditamos que a mudança começa na relação de cuidado", observa.
Mauro Romero afirma que para reverter o aumento da sífilis e da sífilis congênita é preciso que profissionais de saúde e gestores adotem algumas medidas essenciais:
Acolher a gestante e o paciente diagnosticado sem julgamentos, reconhecendo a vulnerabilidade do momento;
Garantir disponibilidade do tratamento e a notificação correta para planejamento de políticas públicas;
Adotar uma postura de não normalização, tratando a sífilis com a seriedade que a doença exige;
Exercer a responsabilidade não só clínica, mas de gestão, garantindo que o ciclo de tratamento e a busca ativa de parceiros sejam efetivos para quebrar a cadeia de transmissão.









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