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Corte que soltou Queiroz manteve preso ladrão de xampu

  • 10 de jul. de 2020
  • 2 min de leitura

Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro, relação antiga (Reprodução)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deu ao ex-assessor do clã Bolsonaro, Fabrício Queiroz e sua mulher o benefício da prisão domiciliar, por causa da pandemia do coronavírus na cadeia, negou recentemente o mesmo benefício para um jovem, preso sob acusação de furtar dois frascos de xampus, de R$ 10 cada, em um estabelecimento comercial, no interior de São Paulo.

A decisão contrária ao jovem foi do ministro Felix Fischer, do STJ, que afirmou em seu despacho que o jovem que roubara dois xampus oferece “risco à sociedade”. Já a decisão do presidente do STJ considerou que Queiroz não oferece risco à sociedade, apesar de ser o operador de um esquema que envolve os nomes do presidente da República e de dois de seus filhos parlamentares, e ter ligações com milícias do Rio de Janeiro. Queiroz também foi acusado pelo Ministério Público por ameaças contra testemunhas no caso da “rachadinha”.

No despacho em que negou o pedido dos advogados do jovem, Felix Fischer citou sentença de outro ministro do STJ, Rogerio Schietti Cruz, segundo informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. Na sentença, afirma-se que “a crise do novo coronavírus deve ser sempre levada em conta na análise de pleitos de libertação de presos, mas, inelutavelmente, não é um passe livre para a liberação de todos”. A tese não valeu para o casal Queiroz. A defesa do jovem apresentou pedido de habeas corpus ao STF (Supremo Tribunal Federal), mas ele foi negado pela ministra Rosa Weber em 30 de junho. O caso aconteceu em 1º de fevereiro, na cidade de Barra Bonita, no interior paulista. Após o furto dos dois xampus, o jovem foi preso em flagrante. Fischer é o relator do caso Queiroz no STJ.

A decisão de conceder a Queiroz a prisão domiciliar foi de João Otávio de Noronha, presidente da corte, que deixou de sair de férias, também favorece o clã Bolsonaro. Nem todos os ministros do STJ concordam. Como publicado na quinta, outros magistrados da corte revelaram para a jornalista Bela Megale, do Globo, que a decisão de Noronha "envergonha o tribunal". Noronha estaria de olho em uma das vagas que serão abertas no Supremo Tribunal Federal no governo de Jair Bolsonaro.

 
 
 

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