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Gigante estrangulado: o Facebook sob o joelho da opinião pública

Por Luiz Augusto Erthal




Durante os minutos de agonia de George Floyd, o policial branco que o matou ostentou, triunfante, a sua força e poder enquanto estrangulava o seu prisioneiro negro na sarjeta de uma rua de Minnesota. A cena que chocou o mundo e liberou um clamor represado não só contra a supremacia branca, mas contra as várias formas de opressão, tem abalado o poder dominante de várias formas.

Donald Trump, o arrogante e até então favorito candidato nas eleições deste ano para a Casa Branca, está vendo escapar das mãos, com 14 pontos de desvantagem para o candidato democrata Joe Biden, segundo as últimas pesquisas, a sua reeleição como presidente dos Estados Unidos.

Floyd sendo estrangulado

A direita extremista, acuada, recolheu as armas. E o pescoço que se encontra agora sob o joelho vingador da opinião pública é o do principal canal de propagação do discurso de ódio e discriminação dos supremacistas: o Facebook.

Os questionamentos sobre a leniência desse gigante das redes sociais não são novos e se manifestam em vários países. Entre as acusações que pesam sobre o Facebook e seus coirmãos Whatsapp e Instagram estão, além de divulgar o racismo e a homofobia, interferir em processos eleitorais, como na eleição que levou o presidente Jair Bolsonaro ao poder, cujas suspeitas de propaganda enganosa estão sendo investigadas pelo Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news.

Mas foi preciso um fato chocante, com o desencadeamento de uma reação mundial para que Mark Zuckerberg se mexesse e começasse a adotar as primeiras - e ainda timidas, segundo os críticos - medidas para impor limites às manifestações discriminatórias e manipuladoras que circulam pelo seu canal de comunicação.

Ainda assim, ele não agiu espontaneamente. Foi motivado por perdas superiores a US$ 75 bilhões na capitalização de mercado da companhia como resultado da desvalorização das ações do Facebook em função do boicote imposto por mais de 500 empresas - número que cresce a cada dia - desde a explosão dos protestos desencadeados pela morte de Floyd. Em um único dia, Zuckerberg perdeu mais de R$ 50 bilhões com a decisão de alguns de seus principais anunciantes de suspender a veiculação de suas marcas na rede social.

Isso não significa que Adidas, Coca-Cola, Ford, Honda, Levi’s, Microsoft, Mozilla, Pepsi, Puma, Reebok, Starbuck, Unilever e centenas de outras companhias tenham se transformado em ativistas de direitos civis ou da democracia representativa. Elas seguem a lógica do mercado e se afastam de tudo que possa macular suas marcas e lhes impor prejuízos.

Iniciado há poucas semanas, o movimento “Stop hate for profit” (“Chega de ódio pelo lucro”, em tradução livre) é avassalador. Entre os organizadores estão Anti-Defamation League, Color of Change, Common Sense Media, Free Press, National Association for the Advacement of Colored People, Sleeping Giants, League of United Latin American Citizens, Mozilla Foundation e National Hispanic Media Coalition.

Mark Zuckerberg

Temendo a antropofagia capitalista, Zuckerberg, que há anos ignora impassível os apelos por filtros que impeçam a disseminação de manifestações preconceituosas e manipuladoras na rede, decidiu dar algumas respostas, que, contudo, ainda não foram suficientes. No dia 27 de junho ele anunciou as seguintes medidas:

Aplicar uma política de restrição de discursos de ódio para os anúncios na rede social;

restringir a desinformação sobre as eleições nos dias anteriores à votação; incluir alertas em conteúdo "noticioso" que incite violência e venha de figuras públicas, como políticos de alto escalão, mas sem sua exclusão; permitir auditoria externa dos padrões da comunidade; trabalhar com a Aliança Global para Mídia Responsável (GARM) para apurar os requisitos para segurança de marcas.

No entanto, a pauta do boicote é mais extensa:

- Estabelecer uma infraestrutura de direitos civis, incluindo executivos de alto escalão capazes de avaliar produtos e políticas para discriminação e ódio;

- Submissão a auditorias externas regulares sobre discursos de ódio e desinformação, com resultados publicamente acessíveis;

- Oferecer auditoria e reembolso a anunciantes cujas marcas foram expostas ao lado de conteúdo que foi excluído por violar termos de serviço;

- Encontrar e remover grupos públicos e privados que se baseiem em temas como supremacia branca, milícias, antissemitismo, conspirações violentas, negação do Holocausto, desinformação sobre vacinas e negação das mudanças climáticas;

- Implementação de termos de serviço que ajudem a limitar e eliminar discursos radicais da rede social;

- Não recomendar ou amplificar discursos ou conteúdos associados ao ódio, desinformação ou conspiração;

- Criar mecanismos que marquem automaticamente conteúdo de ódio em grupos privados para avaliação humana;

- Garantir a precisão de informações políticas eliminando a exceção para políticos;

- Proibir desinformação sobre eleições e chamados de violência por políticos em qualquer formato;

- Criar times de especialistas para analisar ódio baseado em identidade e assédio;

- Possibilitar que indivíduos enfrentando ódio e assédio severos possam se conectar com um funcionário do Facebook.

Face às medidas anunciadas pelo Facebook, os organizadores do movimento alegaram que ainda falta à rede adotar ações mais claras e mais amplas nos grupos ou posts dos usuários; impedir informações políticas distorcidas não só nos dias que antecedem votações; deletar - e não só “etiquetar” - posts de figuras públicas que promovam violência; esclarecer em detalhes como será feita a auditoria externa e também sobre o trabalho a ser desenvolvido pela GEARM.

Em um mundo onde a comunicação de massas derrubou seus limites e fronteiras, o Facebook se vê diante de um desafio proporcional ao seu gigantismo, que é o de aprender com os bons e velhos jornais como conquistar credibilidade, a única condição capaz de salvar a rede de uma debacle total.


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