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Reprimendas ao Brasil no Dia Mundial do Meio Ambiente


Waldeck Carneiro* Nesta jornada de hoje, em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, o Brasil, sob o governo de Jair Bolsonaro, ostenta na testa o selo de país inconfiável em matéria ambiental. Não é para menos. Desde sua chegada ao Ministério das Relações Exteriores, o ministro terraplanista Ernesto Araújo vem afirmando, em fóruns nacionais e internacionais, que as mudanças climáticas configuram uma tese burlesca, pois não passam de mera "conspiração marxista para fortalecer a China". Mais recentemente, na famigerada reunião ministerial, que mais parecia uma reunião de facção, cuja transmissão em áudio e vídeo foi liberada pelo STF, constatou-se um verdadeiro espetáculo de horrores institucionais, agressões republicanas e ofensas aos marcos constitucionais. Entre ameaças de integrantes do primeiro escalão do governo bolsonarista a ministros do STF, governadores e prefeitos; ofensas verbais do ministro da economia ao Banco do Brasil e demonstração de ódio ao servidor público, em cujo bolso se vangloriou de ter plantado uma "granada"; claras manifestações do próprio presidente da República em relação ao seu desejo de transformar a PF em polícia política para proteger familiares e amigos, também sobressaiu o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que mais uma vez se colocou como adversário de nossos biomas e do princípio da sustentabilidade ambiental. Com efeito, para estupor da sociedade brasileira, e não apenas de ambientalistas, o ministro declarou que era preciso aproveitar a "tranquilidade" proporcionada pelo momento de pandemia para flexibilizar ao máximo a legislação ambiental brasileira. Ora, o novo coronavírus já matou quase 40.000 pessoas no Brasil, país que hoje detém vergonhosa medalha de bronze, pois está em terceiro lugar no mundo em número de óbitos causados pela covid-19. Mas, na expressão do ministro, é o momento de "passar a boiada" por cima de nossas reservas, áreas de preservação e de proteção, enfim, de nossos santuários ecológicos. Nada mais equivocado, pois não se pode opor desenvolvimento econômico e preservação ambiental, ideia anacrônica, estratégia temerária e concepção fora de sintonia com os riscos de degradação do patrimônio ambiental do planeta e com as perspectivas de fortalecimento da chamada economia verde, que gera trabalho, gera renda, gera oportunidade e preserva fauna, flora e a espécie humana. Sem falar na atração de investimentos internacionais comprometidos com pesquisas na área ambiental, o que, aliás, o Brasil começou a perder, desde o ano passado, como no caso da Alemanha, que suspendeu financiamento acima de 150 milhões de reais em razão do avanço do desmatamento na Amazônia brasileira. A propósito, não se pode esquecer que o presidente Jair Bolsonaro demitiu o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), instituição internacionalmente reputada, por discordar de relatório científico que comprovava aumento de áreas desmatadas na Amazônia brasileira, desde o golpe de Estado de 2016. Aquele financiamento alemão, vale dizer, foi suspenso logo depois dessa demonstração do governo Bolsonaro de desprezo à ciência e a um dos principais biomas do planeta, a Amazônia. Não estamos isolados nesta reflexão. Posicionamentos recentes de autoridades, em diferentes países, revelam a forma assertiva pela qual a questão ambiental, cada vez mais, será tratada como variável fundamental nas parcerias, tratativas e cooperações na economia internacional. O parlamento holandês rejeitou um acordo de cooperação entre a União Europeia e o Mercosul, sob o principal argumento de que há muitas incertezas no Brasil, país mais influente do bloco sul americano, em relação à política ambiental. Até nos Estados Unidos houve atitude análoga: um comitê de deputados americanos enviou documento à autoridade comercial da Casa Branca, alertando que não será possível sequer dar início a acordos ou cooperações com o Brasil devido à degradada (inevitável trocadilho) política ambiental do governo Bolsonaro.


Por fim, cabe lembrar a questão da pandemia do novo coronavírus, maior tragédia sanitária do planeta, desde a eclosão da gripe espanhola no início do século passado. Cientistas e pensadores do mundo inteiro associam a pandemia ao processo de devastação ambiental, como tem feito enfaticamente o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos. Afinal, vírus e micro-organismos patológicos até podem viver, de forma equilibrada, em diferentes ecossistemas. Contudo, se esses ecossistemas são agredidos pela ação humana, em geral movida pela ganância, e entram em processo de desequilíbrio, vetores de doenças podem se espalhar, de forma descontrolada, exatamente como ocorre na pandemia da covid-19, colocando em risco a própria espécie humana. No Rio de Janeiro, temos defendido que a Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro amplie suas linhas de apoio a iniciativas acadêmicas que enfoquem a preservação de nossos diferentes biomas, em especial a ameaçada Mata Atlântica, onde se insere o estado do Rio de Janeiro, e também os estudos e os projetos sobre educação ambiental. É preciso formar cidadãos que encarem a diversidade ambiental como um valor a ser protegido e que percebam o caráter estratégico, inclusive do ponto de vista econômico, da preservação de nossa diversidade ambiental. Se formarmos uma consciência coletiva com essa visão, dificilmente teremos novamente um ministro do Meio Ambiente que só enxerga a Amazônia pelas lentes de madeireiras, mineradoras, grileiros e milícias rurais, que fustigam e matam nossos povos da floresta. * Waldeck Carneiro é Professor da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFF e Deputado Estadual (PT-RJ).


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