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19 milhões de pessoas passam fome no Brasil

Novos dados sobre a fome, publicados nesta segunda-feira (5/4), revelam que a pandemia de Covid-19 elevou para 19 milhões o número de brasileiros atingidos pela falta de comida. O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), mostrou também que 116,8 milhões de pessoas conviveram com algum grau de insegurança alimentar no país nos últimos meses do ano passado, o que corresponde a 55,2% dos domicílios.

Foto: Agência Brasil / Arquivo

A pesquisa compara o aumento da fome no Brasil durante a pandemia aos níveis de 2004 registrados na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), quando a insegurança alimentar moderada estava em 12% e a grave em 9,5%. De acordo com os dados atuais, a insegurança moderada está em 11,5% e a grave 9%. Ou seja, pior índice desde 2004. Naquele ano, o país tinha 64,8% da população em segurança alimentar. Hoje tem 44,8%.


A partir de 2004, o Brasil avançou no combate à pobreza e saiu do Mapa da Fome da ONU. Mas voltou a figurar na lista em 2018, quando o número de brasileiros sem acesso à alimentação chegou a 10 milhões, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE - 2017/2018), e conforme mostrou a matéria publicada no TODA PALAVRA deste domingo (4/4). Com a crise sanitária, os brasileiros que não têm o que comer agora já são quase o dobro.


Desigualdades


O levantamento foi feito durante os dias 5 e 24 de dezembro em 2.180 domicílios nas cinco regiões do Brasil, no período de impacto da redução do auxílio emergencial de R$ 600 para R$300; e de R$ 1.200 para R$ 600 para mães solteiras. No caso das famílias chefiadas por mulheres, a fome atingiu 11,1% das residências. Já nos lares em que os homens são referência, o percentual cai para 7,7%.


A pesquisa evidencia que a fome tem gênero e cor, e escancara as diferenças. Em termos de segurança alimentar, apenas 35,9% dos lares de mães solteiras contam com alimentação regular durante a pandemia. Nos domicílios chefiados por homens, 52,5% têm comida garantida. Quando a pessoa responsável pela família é negra, a fome atinge 10,7% das residências. Quando é branca, 7,5%.


As relações entre as desigualdades regionais e a fome também ficaram visíveis na pesquisa. As regiões Norte e Nordeste concentram os números maiores de famílias que não têm acesso à comida. A disparidade é marcante no comparativo dos números da fome nas regiões Norte (18,1%) e Nordeste (13,8%), com as macrorregiões Sul-Sudeste (6%) e Centro-Oeste (6,9%). Nas áreas rurais, 12% dos domicílios foram afetados pela falta de alimentos. Nas áreas urbanas, o percentual é de 8,5%.


Além de gênero e cor, a água é outro fator que interfere diretamente nos números da fome. No semiárido brasileiro, quando não existe água para a agricultura familiar, os lares sem acesso à alimentação chegam a 44,2%.


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