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Por 69 votos a 0, Alerj abre o impeachment do governador. Witzel pode renunciar

Atualizado: 11 de Jun de 2020


O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio, deputado André Ceciliano (PT), declarou aberto o processo de impeachment contra o governador Wilson Witzel na tarde desta quarta-feira, logo depois da declaração de voto da deputada Lucinha (PSDB), o 36o favorável à abertura de impeachment, superando a metade dos 70 deputados da casa. A votação final foi de 69 favoráveis ao processo de cassação, com apenas uma ausência.

O resultado praticamente unânime demonstra o isolamento político total do governador. Deputados ouvidos pelo TODA PALAVRA se mostraram completamente céticos em relação às condições de Witzel escapar do impeachment. "É um nível de isolamento muito difícil de reverter", comentou o deputado Flávio Serafini (PSOL), salientando que o governador não teve sequer uma voz que se levantasse em sua defesa durante o processo de votação.

Ao contrário, a sessão da Alerj desta quarta-feira acabou se transformando em uma malhação coletiva, com os deputados se revezando em manifestações condenatórias. Ceciliano justificou ter levado a matéria à votação pelo fato de já terem sido apresentados 14 pedidos de abertura de processo de impeachment.

A derrota acapachante do governo na sessão desta quarta-feira reforçou os rumores da possibilidade de uma renúncia iminente do governador. Em nota, porém, divulgada pelo Palácio Guanabara, Witzel ainda não admitia essa saída, dizendo-se "absolutamente tranquilo sobre a minha inocência".

"Recebo com espírito democrático e resiliência a notícia do início da tramitação do processo de impeachment pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Leia a nota:

"Estou absolutamente tranquilo sobre a minha inocência. Fui eleito tendo como pilar o combate à corrupção e não abandonei em nenhum momento essa bandeira. E é isso que, humildemente, irei demonstrar para as senhoras deputadas e senhores deputados.

Como bem ressaltaram o presidente da Alerj, André Ceciliano, e a maioria dos parlamentares, terei direito à ampla defesa e tenho certeza absoluta de que poderei demonstrar que nosso governo não teve tolerância com as irregularidades elencadas no processo que será julgado.

Vou seguir nas minhas funções como governador e me preparar para a minha defesa. Tenho certeza que os parlamentares julgarão os fatos como eles verdadeiramente são".


Homenagem aos mortos

O deputado Waldeck Carneiro (PT), cotado para ser indicado pelo seu partido para integrar a Comissão Especial que será responsável pela elaboração do relatório que encaminhará a admissibilidade do impeachment, atribui o isolamento de Witzel a um conjunto de fatores, desde uma "incompetência" política no relacionamento com a Assembleia Legislativa até as "denúncias robustas" de corrupção apresentadas contra o governador em meio à pandemia de coronavírus.

"A decisão de hoje da Assembleia é uma homenagem à memória dos cerca de 7 mil mortos até agora no Estado do Rio, onde a taxa e mortalidade é o dobro da média brasileira", afirmou Waldeck.

O parlamentar também lembrou que o governador já havia cometido incitação ao crime, tipificada no Código Penal, ao incentivar atiradores de elite a "atirar na cabecinha" de possíveis suspeitos. Segundo ele, a rejeição das contas de Witzel relativas a 2019 pelo Tribunal de Contas, por unanimidade, também é uma demonstração da incompetência do governo.