'AmARzonas': oxigênio da China para Manaus


O Instituto Social Brasil-China (Ibrachina) viabilizou nesta segunda-feira (18) o envio imediato de oxigênio para a capital do Amazonas, dentro de um contêiner com 1.700 cilindros do produto.

A iniciativa foi resultado da colaboração entre o Ibrachina e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), através da Coordenação Brasil-China.

A ajuda já é reflexo de uma reunião na tarde da última sexta-feira (15) na Embaixada da China em Brasília, quando ficou acertada uma ajuda financeira imediata do país asiático para o estado do Amazonas, além do envio de equipamentos e insumos.

A ajuda em dinheiro tem como objetivo sanar necessidades imediatas do estado por oxigênio, principalmente na capital Manaus.

Auxílio chinês começou a ser traçado em reunião na semana passada

Estavam presentes na reunião com a Embaixada da China e o Comitê de Crise para o estado do Amazonas, representantes da seccional OAB-AM e o presidente do Ibrachina, Thomas Law.

​O pedido de ajuda foi levado à China e uniu empresas e instituições sino-brasileiras para os esforços. A iniciativa foi batizada de "AmARzonas", em alusão às palavras "ar" e "amar", segundo publicou o Ibrachina em seu portal.

De acordo com Thomas, a China atendeu aos pedidos e disponibilizará ajuda financeira imediata, oxigênio, equipamento de proteção individual (EPIs) e insumos diversos. A ação será coordenada e mais insumos devem chegar à Manaus nos próximos dias. "Vamos unir forças para contribuir de maneira efetiva com as pessoas no Amazonas. A situação é crítica e faremos o possível para auxiliar o mais rápido possível", afirmou o presidente do Ibrachina, em release divulgado no site da entidade.

"Destacamos a atuação do Comitê de Crise COVID-19 do Congresso Nacional, presidido pelo deputado federal Evair de Melo e o apoio do seu coordenador estadual, Marcelo Ramos, deputado federal do Amazonas. Integra o Comitê COVID-19 a Embaixada da China e tivemos também o apoio da Força Aérea Brasileira, da IBG e da White Martins", completou o presidente do Ibrachina.

Thomas disse que foram articulados contatos e concentrados esforços para realizar ações humanitárias para ajudar o povo do Amazonas: "Continuamos trabalhando para que mais cargas de oxigênio sejam enviadas com agilidade e segurança. Agradeço também à equipe do Ibrachina, em especial à nossa área de Relações Institucionais. Todos estão engajados e comprometidos em prol da união e solidariedade”, finalizou Thomas.

Interesses da China são puramente humanitários?

Para aprofundar o assunto, A Sputnik Brasil conversou com Marcos Cordeiro Pires, professor da UNESP e pesquisador do INCT-INEU, Instituto de Estudos dos Estados Unidos, e também do Grupo de Pesquisa dos BRICS, sobre a ajuda financeira da China para o Amazonas.

Segundo ele, em momentos de grande comoção internacional, normalmente os países oferecem solidariedade. Então olhando para a situação do Amazonas, esse é um desses momentos. "Não somente a China, mas também podemos citar a Venezuela, que se predispôs a enviar suprimentos de oxigênio para a capital do Amazonas", explicou o especialista.

"Agora é óbvio que quando vem a ajuda seu prestígio melhora, e creio que no caso da China não seria nem manter uma boa imagem, mas recuperá-la, pois foi muito desgastada por círculos de redes sociais vinculadas ao chamado 'gabinete do ódio' do governo, que a todo momento encontra uma maneira de fustigar a China, o partido comunista chinês ou o governo do país", avaliou Pires.

Como o governo federal poderia encarar a ajuda chinesa?

Segundo o especialista o governo brasileiro não é "uníssono" quando diz respeito à China; "Porque se há uma agressão gratuita por setores do Palácio do Planalto ou do Ministério das Relações Exteriores, há uma compreensão muito grande de setores ligados à economia e ao agronegócio de que não se pode desprezar a relação com a China", avaliou Pires.

Para ele, é interessante notar que a ação da China no Amazonas e a parceria do país com o governo do estado de São Paulo, do ponto de vista da vacina, é algo importante para o país asiático, porque ele consegue manter um relacionamento de alto nível com o Brasil mesmo que seja com entidades subnacionais.

"É a oportunidade que há, porque os laços do Brasil com a China e principalmente a dependência que possa existir da economia brasileira com o mercado chinês faz com que essa relação não se deixe abalar pelas perspectivas de ideologia de extrema direita de grande parte do governo Bolsonaro", declarou Pires.

Influência chinesa e pandemia

Na análise do professor, as relações entre América Latina e China se dão, do ponto de vista comercial e econômico, em um ambiente de dependência mútua, pois a China tem necessidade de alimentos e matérias-primas e a América Latina precisa do enorme mercado chinês.

"Não há do ponto de vista chinês nenhuma discussão particular em aumentar a influência do país asiático na América latina nesse momento. A China tem uma pauta bastante clara que deixou registrada em seu Livro Branco de relações com a América Latina. Talvez a prioridade diplomática da China não seja a Coronavac, não seja a pandemia e sim a estruturação de memorandos de entendimento em torno da chamada Nova Rota da Seda", avaliou o especialista.

Segundo Pires, se a pandemia de início prejudicou a imagem da China, pois foi de lá que o vírus se espalhou para o mundo, agora mostra o outro lado da moeda, pois é da nação asiática que vem grande parte dos insumos para o tratamento da doença e inclusive uma das principais vacinas que estão sendo utilizadas em várias países, inclusive no Brasil.


Fonte: Agência Sputnik

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