Argentina: 9 em cada 10 famílias estão endividadas e cresce inadimplência
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Nove em cada dez domicílios argentinos estão endividados, e quase metade dessas dívidas está fora do sistema financeiro tradicional, segundo um levantamento divulgado nesta sexta-feira, 28 de agosto, pelo Instituto de Estatísticas e Tendências Sociais e Econômicas (IETSE).
O estudo detalha que 92,3% das famílias registram algum tipo de obrigação pendente, embora apenas 50,7% dessas dívidas possam ser rastreadas por meio de informações do Banco Central; os 49,3% restantes correspondem a compromissos como aluguéis, compras a prazo em comércios de bairro, impostos, taxas de condomínio, serviços, educação privada e empréstimos entre familiares ou com credores não regulamentados.
A quarta edição do estudo, referente a agosto de 2026, analisou 4.200 casos nas 23 províncias e na Cidade de Buenos Aires, utilizando uma amostra probabilística estratificada realizada entre 25 de julho e 15 de agosto.
Dentro do segmento de dívidas identificáveis pelo Banco Central da República Argentina (BCRA), os cartões de crédito concentram 31,1% das obrigações, seguidos por empréstimos de carteiras digitais e financeiras, com 10,2%, e dívidas bancárias que não envolvem cartões, com 9,4%.
No outro extremo, as compras a prazo em comércios locais representam 13,3% do total de dívidas levantadas, seguidas por aluguéis, com 12,5%; impostos, taxas e condomínio, com 8,5%; empréstimos familiares ou informais, com 4,7%; serviços privados, com 4,3%; educação privada, com 2,2%; dívidas não especificadas, com 2%; e serviços públicos, com 1,8%.
Uso de cartões e inadimplência em alta
O relatório também aponta que 62,5% do uso de cartões de crédito destinam-se à compra de alimentos, ante 61% em março de 2026 e 58% em 2025, o que confirma que o crédito via cartão funciona cada vez mais como um complemento para rendas insuficientes.
O IETSE descreve essa tendência como uma transição "de um endividamento pontual para uma modalidade de endividamento múltiplo e fragmentado", na qual 28,4% das famílias endividadas acumulam mais de três dívidas — ante 23,5% registrado em março —, o que aumenta os compromissos simultâneos que as famílias precisam administrar.
A inadimplência também cresceu: 88,9% das dívidas estavam em atraso ou não pagas em agosto, contra 81,8% em março e 76% em maio de 2025, enquanto 41,3% das obrigações já estão em fase judicial. Cerca de 44% dos domicílios destinam mais da metade de sua renda mensal ao pagamento de dívidas, uma proporção que era de 38% em março e de 28% em 2025. Quanto ao futuro, 47,5% das famílias consultadas acreditam que não conseguirão honrar todas as suas dívidas.
Salário mínimo 'transformado em um subsídio'
O secretário-geral da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), Rodolfo Aguiar, criticou duramente o funcionamento do Conselho do Salário Mínimo após a última reunião tripartite, na qual o setor empresarial ofereceu um aumento de 1,8% para setembro e de 1,7% ao mês entre outubro e abril.
O dirigente sindical afirmou que "este governo acabou transformando o salário mínimo em um subsídio" e declarou que o órgão deveria funcionar como um espaço de negociação coletiva para os setores trabalhistas que não possuem representação formal; assim, a ausência de um piso salarial digno "deixa desprotegidos 40% dos trabalhadores".
Aguiar apontou que o Salário Mínimo, Vital e Móvel (SMVM) ficou defasado em relação ao custo de vida e não cumpre sua função original, uma vez que não é suficiente para cobrir necessidades básicas nem é reajustado acima da inflação. A comparação com os dados oficiais do INDEC é reveladora: o órgão situa a linha de pobreza em $ 1.564.716 e a de indigência em $ 708.016. O representante sindical também criticou o papel do Conselho do Salário como espaço de diálogo, avaliando que o órgão deixou de gerar acordos há mais de dois anos e que as decisões acabam sendo definidas por resolução do governo.
Segundo Aguiar, a entidade foi cooptada pelas grandes associações empresariais para validar medidas já acertadas com o Poder Executivo, e ele alertou que, se esse esquema continuar, "o Conselho vai existir, mas os salários vão desaparecer".
Da Telesur











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