Bolsonaristas pressionam para tirar Renan da CPI da Covid


Senador Renan Calheiros (MDB-AL) deve ser o relator da CPI da Covid (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Cotado para ser o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, que investigará supostas negligências e omissões do governo na pandemia, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) enfrenta forte oposição da militância bolsonarista.

Desde que o nome de Renan Calheiros apareceu como relator da CPI, a base aliada de Jair Bolsonaro ligou o sinal de alerta, temendo que as investigações dos senadores possam ser influenciadas pelas duras críticas que o senador faz ao governo.

Aliados de primeira hora do presidente Bolsonaro estão em campanha para tentar tirar o senador alagoano da relatoria da CPI.

Os deputados Carla Zambelli (PSL-SP), Alê Silva (PSL-MG) e Carlos Jordy (PSL-RJ), além do ex-ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, iniciaram campanha nas redes sociais chamada "Renan Suspeito".

Eles argumentam que o senador deveria ser considerado suspeito por ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), o que configuraria um conflito de interesses.

Nesta segunda-feira (19), a deputada Carla Zambelli disse, em suas redes sociais, que ingressou com ação na Justiça para barrar Renan na relatoria da CPI. "A presença de alguém com 43 processos e 6 inquéritos no STF evidentemente fere o princípio da moralidade administrativa", argumentou a deputada, acrescentando que "outros parlamentares também ingressarão com ações".

A deputada federal Alê Silva publicou: "Estes são os senadores que irão fazer parte da COVID. Se você discorda da relatoria nas mãos do @renancalheiros, ajude-nos a subir a tag: #RenanSuspeito".

Carlos Jordy, por sua vez, comentou: "Renan Calheiros ser escolhido como relator revela a seriedade da CPI da COVID-19". Segundo ele, em um "país sério, um réu em processo no STF [Supremo Tribunal Federal], investigado em 20 inquéritos e pai do governador de Alagoas, jamais assumiria a presidência de uma comissão para investigar ilícitos".

Até o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), preso em regime domiciliar por ter pronunciado ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, para barrar o senador alagoano. De acordo com reportagem da TV Globo, o deputado poderá ser enquadrado em um outro inquérito, que investigará os gastos astronômicos de parlamentares com combustíveis. Ele é apontado como "campeão em abastecimentos únicos", ao declarar à Câmara a compra de mais de mil litros de gasolina num único abastecimento - o tanque do veículo teria que ser maior do que uma caixa d'água.

O senador Renan Calheiros, citado pelo Globo, respondeu às críticas, afirmando que pediu ao Twitter o cancelamento de 3.043 contas. Segundo ele, a cada 1 mil menções de seu nome sobre a CPI da Covid-19, 67% foram feitas por robôs, prática atribuída com frequência a bolsonaristas. Com base nisso, ele pediu o cancelamento dos perfis.

Militares no alvo

Os militares devem ser o primeiro foco da CPI da Covid. Os generais Walter Braga Netto, ministro da Defesa, e Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, estarão entre os alvos das investigações. Segundo conversa gravada pelo senador Jorge Kajuru (GO), Jair Bolsonaro queria mudar os rumos da CPI para atingir governadores e prefeitos, mas, agora o governo vê uma de suas principais bases de sustentação, a ala militar, alvo das investigações.

A convocação de Pazuello já era certa. Braga Netto será ouvido, pois, de acordo com relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), foram identificadas "graves omissões" do atual ministro no combate à pandemia da Covid-19.

Com Pazuello na Saúde, o número de mortes por Covid no Brasil aumentou de 15 mil óbitos para 300 mil vítimas da pandemia e tornou-se uma ameaça global. Na quarta-feira passada (14), o TCU acusou o general de alterar o plano de contingência da Saúde na pandemia para livrar o governo federal de responsabilidades no monitoramento de estoques de remédios, insumos e testes. A obediência de Pazuello a Bolsonaro ficou evidente em outubro de 2020, quando cancelou uma compra de 46 milhões de doses da Coronavac.

Em janeiro, documentos públicos apontaram que Pazuello sabia do cenário crítico sobre o sistema de saúde em Manaus muito antes de ser constatada a falta de oxigênio em hospitais da capital amazonense.

Desespero no governo

Segundo opositores, bateu desespero no presidente Jair Bolsonaro, que ainda tenta colocar um aliado seu na relatoria da CPI, e assim minimizar os efeitos que Renan possa vir a ter contra ele. Os preferidos para assumir as funções são os senadores Eduardo Girão (Podemos) e Marcos Rogério (DEM).

Renan acusou o governo Jair Bolsonaro de tentar manobrar para conseguir a maioria no Tribunal de Contas da União (TCU) e se blindar contra uma acusação de eventual crime de responsabilidade por causa da sanção do Orçamento de 2021. A informação é da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

"O Orçamento atual é um verdadeiro tour da França. Festival de irregularidades e sequestro de R$ 51 bi para emendas parlamentares e do ex-relator. Trocar ministro do TCU para tentar driblar a inconstitucionalidade do que foi aprovado pelo Congresso é absurdo", disse Renan em sua página no no Twitter.

300X350px_Negra.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg
728X90px (2).gif