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Bombas na expulsão de 400 famílias em terreno da Petrobras


Por determinação da Justiça, cerca de 400 famílias foram retiradas de um terreno da Petrobras, na Avenida Deputado Otávio Cabral, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (1º). Os sem teto resistiram em sair e policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e jato d'água para dispersar os moradores durante ação de reintegração de posse. Um homem foi atingido no olho por um tiro de bala de borracha e uma mulher passou mal. O local estava ocupado desde maio.

Os oficiais de justiça chegaram ao local pela manhã com o apoio de agentes do Batalhão de Choque e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) para cumprir a ordem judicial.

Moradores fizeram uma barreira na entrada da ocupação e colocaram fogo em madeiras e lonas e reagiram com pedras as bombas atiradas pelos policiais.

Os bombeiros do quartel de Itaguaí foram acionados às 8h05 e receberam o apoio do quartel de Sepetiba.

Sobre a utilização de bombas num lugar onde havia crianças, o comandante do Batalhão de Choque, tenente-coronel Vinícius Carvalho, citado pelo G1, disse que a ação foi pautada em técnicas para minimizar este tipo de efeito colateral.

Quem morava no assentamento e sem ter para onde ir seguiu para o Ciep 300 Vicente Cicarino, naquele município.

Petrobras: 'kits com álcool em gel e máscara'

A Petrobras informou, por meio de nota, que o mandado de reintegração de posse que está sendo cumprido foi expedido pela 2ª Vara Cível de Itaguaí, “conforme anteriormente autorizado pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, com o apoio da Secretaria de Assistência Social da prefeitura de Itaguaí, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do Estado do Rio de Janeiro e da Polícia Militar, a fim de garantir a desocupação segura e pacífica do imóvel na Rua Deputado Octávio Luis Cabral, em Itaguaí”.

A maior empresa do Brasil acrescentou que, para o cumprimento da ordem judicial, forneceu kits com álcool em gel e máscara, ofereceu transporte até três rodoviárias próximas ao município de Itaguaí e serviço de armazenamento e guarda de bens em depósito contratado pela própria companhia.

A estatal disse ainda que “foram providenciados cobertores, alimentação e colchonetes para atender às pessoas que ficarão temporariamente em abrigos disponibilizados pela prefeitura”.

Já a Prefeitura de Itaguaí informou por meio de uma nota que a Secretaria de Assistência Social do município esteve no local "dando suporte e tomando todos os cuidados referentes aos procedimentos para evitar contaminação da covid-19”.

TJ-RJ

Segundo informou a Agência Brasil, de acordo com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), após a decisão do presidente do STJ para a reintegração de posse do terreno pela Petrobras, começou a preparação para a remoção das pessoas que se instalaram no terreno. O Tribunal informou ainda que para montar a estrutura, o juízo da 2ª Vara Cível realizou três audiências especiais, que contaram com a presença do prefeito de Itaguaí, Rubem Vieira de Souza, dos secretários dos Equipamentos Municipais e de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro, promotores de Justiça, defensores públicos e de representantes da Polícia Militar.

Ainda segundo a agência, nas medidas preparatórias estava previsto o uso de escolas municipais, para servirem de abrigo temporário e fornecimento de colchonetes, de quatro refeições diárias, de kits de proteção da covid-19, de transporte e a alocação de bens.

Conforme o juízo da 2ª Vara Cível de Itaguaí, a preocupação foi manter as garantias individuais, assistência e apoio aos ocupantes. “Razão pela qual somente foi determinado o cumprimento da ordem de reintegração, após a verificação de que a estrutura estava de fato pronta para atender aqueles que dela necessitassem”, informou o TJRJ.