Manobra do Guandu evita novamente a contaminação da água

Atualizado: 8 de fev. de 2021


Esquema da manobra da "descarga" que integra o Plano de Contigenciamento do sistema Guandu

Após mais uma interrupção na captação de água para evitar que a contaminação por algas - responsáveis pela produção de geosmina - comprometesse a qualidade do produto e afetasse a sua distribuição na região metropolitana do Rio de Janeiro, a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu foi religada neste domingo (7) pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), estatal vinculada ao governo estadual que responde pelo serviço.

Esta é a segunda vez em menos de um mês em que os profissionais da ETA são obrigados a realizar a manobra conhecida como "descarga" para evitar a entrada das algas nos tanques de tratamento do sistema Guandu. A técnica tem impedido que o problema da poluição do rio Guandu, provocado pelo despejo de esgoto in natura e rejeitos industriais através de três de seus afluentes, comprometa a qualidade da água fornecida à população carioca e aos moradores da Baixada Fluminense.

Conforme denúncia do TODA PALAVRA, uma ação direta do ex-presidente da companhia, Hélio Cabral, impedindo que os funcionários realizassem a manobra da "descarga", provocou a crise da geosmina no início do ano passado. Hélio Cabral foi guindado à presidência com a missão definida pelo governador Wilson Witzel - afastado do cargo por um processo de impeachment movido pela Assembleia Legislativa - de "preparar a privatização da Cedae". Hélio Cabral também responde como um dos acusados pela tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, já que ocupava o cargo de conselheiro da Samarco, empresa causadora do desastre ambiental.


Manobra

A operação da estação foi prevista para ser interrompida às 18h de sábado (6) e retomada às 5h da manhã deste domingo. Segundo a Cedae, trata-se de um plano de contingência. "A ação consiste na abertura das comportas para o escoamento com maior volume e velocidade, renovando parcialmente a água da lagoa", informou.

Segundo a Cedae, a crise é causada pelo aumento da proliferação de algas e cianobactérias nos mananciais que desaguam na Estação Guandu, as quais seriam responsáveis por liberar substâncias como a geosmina e o 2-metilisoborneol (2-MIB), que conferem à água um cheiro e um sabor de terra molhada. Há duas semanas, quando o problema teve início, o governador em exercício, Cláudio Castro, realizou uma reunião de emergência com técnicos da Cedae para cobrar explicações.

Em comunicado divulgado no sábado (6), a Cedae afirmou que as concentrações de geosmina e 2-MIB na água tratada estavam baixas, mas reconheceu que a quantidade de algas na lagoa próxima à estação de tratamento vinha crescendo nos últimos dias. "Três fatores levam à proliferação de algas nos mananciais: água parada, presença de nutrientes e luz solar. O fenômeno ocorre com maior frequência no verão, exigindo medidas preventivas para manutenção da qualidade da água que sai das estações de tratamento", disse a estatal.

Por conta a suspensão temporária do funcionamento da Estação Guandu, a Cedae alertou que pode haver desabastecimento em áreas de ponta do sistema e recomendou que sejam adiadas tarefas não essenciais que exijam grande consumo de água. A normalização pode levar até 48 horas e um esquema especial foi montado pela estatal para atender hospitais e outros serviços essenciais com carros-pipa, caso haja necessidade.

Na última quinta-feira (4), o Ministério Público (MPRJ) e a Defensoria Pública do Rio de Janeiro moveram uma ação judicial contra a Cedae pleiteando desconto na conta dos consumidores e a fixação de prazos para a solução do problema. Também foi pedida a apresentação de relatórios das reclamações recebidas pela estatal, o que seria utilizado para calcular o valor da multa a ser aplicada. A Justiça decidiu ontem (6) que a Cedae deve disponibilizar esses documentos. Também foi determinado a ela que apresente explicação detalhada acerca do método de análise dos parâmetros de gosto e odor.

Segundo a Cedae, o consumo de água com geosmina e 2-MIB não traz risco à saúde dos consumidores. Situação similar já havia ocorrido no início do ano passado, quando o problema demorou mais de um mês para ser solucionado. Na ocasião, a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do estado (Agenersa) aplicou uma multa de R$ 5,7 milhões na Cedae.


Com informações da Agência Brasil

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