Chefe de inteligência dos EUA renuncia e critica agressão de Trump ao Irã
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(Da Telesur) - Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA (NCTC), renunciou ao cargo nesta terça-feira (17), marcando a primeira renúncia de um alto funcionário do governo Trump diretamente motivada pela guerra contra o Irã.
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Kent declarou: “Minha consciência não me permite apoiar a guerra travada no Irã. O Irã não representa uma ameaça iminente à nossa nação.”
A renúncia ocorre em um momento de crescente tensão dentro da coalizão política de Trump. Kent, ex-candidato político com ligações com círculos de direita nos Estados Unidos e amigo próximo do jornalista Tucker Carlson — um dos críticos mais ferrenhos da guerra —, foi confirmado em seu cargo em julho passado com 52 votos a favor e 44 contra.
Como diretor do NCTC, a agência federal responsável por analisar e detectar ameaças terroristas, Kent tinha acesso privilegiado a informações de inteligência sobre as reais capacidades do Irã. É por isso que sua afirmação de que a nação persa não representa uma ameaça iminente aos Estados Unidos tem um peso particular. A crítica não vem de um crítico externo, mas de alguém com a responsabilidade institucional de avaliá-la.
Os arquitetos: o lobby israelense e a mídia
Kent não se limitou a questionar a justificativa para a guerra. Em sua declaração, ele apontou diretamente o governo israelense e setores influentes da mídia americana como os arquitetos de uma campanha de desinformação que minou a plataforma "América Primeiro" de Trump.
Segundo Kent, "altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia lançaram uma campanha de desinformação" no início do governo, com o objetivo de criar uma atmosfera belicosa. O mecanismo era, em suas palavras, uma "câmara de eco" projetada para fazer o presidente acreditar que o Irã era uma ameaça iminente e que um ataque agora garantiria uma vitória rápida.
“Isso foi uma mentira”, escreveu Kent, acrescentando que era “a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa Guerra do Iraque”, que custou milhares de vidas americanas. A comparação é deliberada e tendenciosa: aponta para um padrão de manipulação, não para um erro isolado.
Uma fissura interna
O que torna essa renúncia especialmente significativa é que Kent não vem da oposição democrata nem de círculos críticos ao establishment. Ele foi nomeado pelo próprio Trump e se identifica com os valores da campanha que levou o presidente ao poder em 2016, 2020 e 2024.
Em sua carta, ele expressa seu apoio às políticas defendidas por Trump durante a campanha, aquelas que, em seu primeiro mandato, se traduziram em uma visão que reconhecia que as guerras no Oriente Médio eram, segundo Kent, "uma armadilha que roubou dos Estados Unidos as preciosas vidas de nossos patriotas e drenou a riqueza da nação".
A renúncia de Kent expõe uma fratura que demonstra que a guerra contra o Irã está dividindo a própria base de apoio de Trump, e questionamentos sobre a legitimidade do uso da força estão sendo levantados no próprio âmago do aparato de segurança nacional.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, reconheceu este mês que a Casa Branca acreditava que Israel estava preparado para agir por conta própria, o que colocou o presidente republicano diante do que ele descreveu como uma “decisão muito difícil”.
Trump, por sua vez, oferece justificativas contraditórias para os ataques e rejeita publicamente as alegações de que Israel forçou Washington a agir.









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