Complexo do Salgueiro: histórico de violência e morte

Marcada pela violência e por tiroteios que se tornaram rotina, a comunidade do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, viveu neste fim de semana mais um episódio da guerra travada entre a polícia e traficantes, com a morte de, pelo menos, nove pessoas. Oito corpos foram encontrados pelos próprios moradores na segunda-feira (22/11), em uma área de manguezal. Alguns deles com marcas de tortura. A operação desencadeada pela PM ocorreu após o assassinato do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva, de 38 anos, do 7º BPM (São Gonçalo), em Itaúna, uma das localidades do Salgueiro, no último sábado (20/11).

Reprodução

O Instituto Fogo Cruzado, plataforma que mapeia tiroteios no Rio de Janeiro, registrou, somente este ano, 42 confrontos no Complexo do Salgueiro. Em média, isso representa um tiroteio por semana. A comunidade tem histórias de chacinas e assassinatos nos últimos anos em seu território.


Entre as ações registradas no Complexo do Salgueiro, estão as mortes de oito pessoas, numa operação do Exército e da Polícia Civil, em 2017, e ainda o assassinato do menino João Pedro, de 14 anos. Depois da morte do adolescente, em 18 de maio de 2020, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, restringiu as operações em favelas do Rio por causa da pandemia, em junho do ano passado.


Na decisão, Fachin citou a morte do menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, assassinado durante ação conjunta das polícias Federal e Civil. Naquela ação, os agentes foram prender o traficante Ricardo Severo, o Faustão, um dos chefes do Complexo do Salgueiro. O menino estava na localidade conhecida como Praia da Luz, quando foi ferido. Tanto a chacina de 2017 quanto o caso do menino João Pedro foram arquivados sem a identificação dos responsáveis pelos disparos.

Protesto de moradores do Salgueiro em 2017 / Reprodução

Negros e pobres


O município de São Gonçalo, por sua vez, é um dos mais violentos da Região Metropolitana. Um levantamento feito pelo UOL revelou que o estado do Rio de Janeiro tem oito entre as dez cidades com as maiores taxas de negros mortos pela polícia. A pesquisa se baseou em dados de 2020 coletados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. São Gonçalo é a quarta da lista.


O país registrou 5.092 assassinatos de pessoas negras em intervenções policiais no ano passado. É o equivalente a 78,9% das 6.416 mortes no período, o maior índice de letalidade policial desde 2013, quando a pesquisa começou a ser registrada pelo Anuário de Segurança Pública, divulgado em julho deste ano.


A lista foi elaborada com base no cruzamento entre as mortes de pessoas negras em ações policiais e a população dos municípios onde ocorreram os crimes. Dos oito municípios do Rio apontados no levantamento, sete ficam na região metropolitana do Rio: São Gonçalo, Japeri, Itaguaí, Belford Roxo, Queimados, Mesquita e São João de Meriti.




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