Dr. Jairinho e Monique indiciados por tortura e homicídio


Dr. Jairinho e Monique, indiciados por tortura e homicídio duplamente qualificado (Reprodução)(Reprodução)

Para a Polícia Civil do Rio de Janeiro não há a menor dúvida de que padrasto, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e a mãe, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, presos nesta quinta-feira, são os autores da morte do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos. Após um mês de investigações e 18 testemunhas ouvidas, o casal será indiciado por crimes de tortura e homicídio duplamente qualificado.

O delegado Henrique Damasceno, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), acredita que o casal torturou Henry, sem chance de defesa. Para o delegado, "há provas contundentes que revelam fundadas razões de autoria de crime hediondo". Se condenados, eles podem ficar até 30 anos presos.

Com a prisão temporária de Jairinho e Monique a polícia espera colher novas provas, principalmente depoimentos de pessoas que poderiam estar sendo intimidadas e ameaçadas. Ao longo das investigações, os agentes colheram informações que confirmam o perfil violento e ardiloso de Dr. Jairinho, inclusive de agressões contra outras crianças. Ele tem também um histórico de suspeitas de ligações com milícias. Como o TODA PALAVRA informou, seu nome aparece numa investigação de tortura contra equipe de reportagem do jornal O Dia na Favela do Batan, Zona Norte do Rio, em 2011. Seu pai, ex-deputado Coronel Jairo, que foi preso em esquema de corrupção, era suspeito de comandar a quadrilha. O deputado não foi indiciado no inquérito policial e Jairinho, apesar de ter o nome citado por jornalista na tortura, sequer foi investigado na época.

'É sempre no mesmo quarto'

De acordo com as investigações, Jairinho dava bandas, chutes e pancadas na cabeça de Henry, e a mãe sabia das agressões que ocorriam no apartamento do casal, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Através de perícias em celulares e computadores apreendidos, foram recuperadas mensagens, entre elas, as trocadas entre Monique e a babá do menino, que mostram a babá alertando a mãe do menino sobre as agressões cometidas por Jairinho. A partir das mensagens extraídas dos celulares foi possível constatar uma rotina de violência que Henry sofria.

"É sempre no mesmo quarto", escreveu a babá em uma das mensagens, segundo Henrique Damasceno.

"A babá fala que o Henry relatou a ela que o padrasto pegou pelo braço, nos termos escritos, deu uma banda, chutou. No momento ficou bastante claro que houve uma lesão ali. Na própria continuidade [da conversa], a própria babá fala que o Henry estava mancando. Que quando foi tomar banho, ele não deixou lavar a cabeça porque estava com dor. É óbvio que se trata de uma prova absolutamente relevante", disse o delegado, em referência às mensagens apreendidas no celular de Monique. Segundo o delegado, a babá também "relatou que Henry era ameaçado pelo padrasto: 'Se você contar, eu vou te pegar, você está prejudicando a vida da sua mãe'".

"Não resta a menor dúvida em relação aos elementos que nós temos sobre a autoria do crime", afirmou Damasceno.

Em seu depoimento no dia seguinte à morte do filho, Monique afirmou acreditar que Henry possa ter acordado, ficado em pé sobre a cama, se desequilibrado ou até tropeçado no encosto da poltrona e caído no chão. Também na delegacia, Jairinho contou que, após ouvir os gritos da mulher, caminhou até o quarto, colocou a mão no braço de Henry e notou que o menino estava com temperatura bem abaixo do normal e com a boca aberta, parecendo respirar mal. Jairinho, por sua vez, disse que acreditou que Henry havia "broncoaspirado" (quando alimentos ou líquidos são aspirados para as vias aéreas). Jairinho diz que é formado em Medicina mas nunca exerceu a profissão.

Laudo do Instituto Médico Legal (IML), entretanto, constatou diversas lesões espalhadas pelo corpo do menino, infiltrações hemorrágicas nas partes frontal, lateral e posterior da cabeça, contusões no rim, no pulmão e no fígado.

Celulares pela janela

De acordo com a polícia, Monique e Dr. Jairinho tentaram se desfazer de seus celulares antes de serem presos na manhã desta quinta-feira na casa de uma tia do vereador em Bangu, na Zona Oeste. "Quando nós adentramos na residência eles tentaram se desfazer dos celulares atirando pela janela. Obviamente nós conseguimos resgatar esses celulares mas houve uma tentativa de dispensá-los", afirmou a delegada assistente da 16ª DP, Ana Carolina Medeiros.

"Assassinos"

No início da tarde, policiais conduziram o casal para fazer exames protocolares no IML. Na saída da delegacia, enquanto se encaminhavam para a viatura policial, Jairinho e Monique foram hostilizados por pessoas que acompanhavam a cena, com xingamentos e gritos de "assassinos".


Monique, mãe de Henry, chega presa à delegacia: indiciamento por tortura e homicídio (Reprodução)

Jairinho, padrasto de Henry, levado preso para a delegacia: tortura e homicídio duplamente qualificado (Reprodução)

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