Estudo: dengue pode criar resistência à Covid-19

Às vezes, o que parece ser apenas uma coincidência pode revelar uma importante descoberta. Um estudo coordenado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis encontrou uma relação entre a incidência da Covid-19 e a dengue, ambas moléstias virais. A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (21/9) e ainda sem revisão, sugere que indivíduos que contraíram dengue podem apresentar uma resposta imunológica maior ao novo coronavírus.

Aedes aegypti / Agência Brasil

Ao analisar a incidência da pandemia por regiões do país, eles repararam que nos locais onde a Covid-19 não se manifestou com tanta intensidade, houve maior incidência de casos de dengue em 2019 e início de 2020. Agora, os cientistas querem saber mais sobre uma possível interação imunológica entre as duas doenças.


A pesquisa revela que o número de mortes e a taxa de transmissão da Covid-19 foram menores nas regiões com grande incidência recente de casos de dengue.


“A distribuição geográfica da dengue, totalizando mais de 3,5 milhões de casos de janeiro de 2019 a julho de 2020, era altamente complementar à da Covid-19. A tendência foi confirmada pela identificação de correlações negativas significativas entre a incidência de Covid-19, a taxa de crescimento da infecção, e mortalidade ao percentual de pessoas com níveis de anticorpos (IgM) para dengue em cada um dos estados do país”, diz o estudo.


Essa correlação, no entanto, não foi observada com outras arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como a chikungunya ou a zika.


Para reforçar a teoria, os pesquisadores procuraram dados em outros países que também registraram epidemias de dengue. A correspondência foi igualmente observada em uma amostra de nações da Ásia e da América Latina, além de ilhas nos oceanos Pacífico e Índico.

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