'Eu sou do Centrão', afirma Bolsonaro pela primeira vez


(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Após confirmar na quinta-feira (22) que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Partido Progressista e líder do Centrão, vai assumir o comando da Casa Civil, o presidente Jair Bolsonaro também afirmou nesta sexta-feira, pela primeira vez, que é do Centrão - bloco de políticos no Congresso conhecido pela prática do "toma lá, dá cá". "Eu sou do Centrão", disse o presidente, que, desde a campanha eleitoral de 2018, esquivava-se desse rótulo e tentou criar um partido para chamar de "seu", o Aliança pelo Brasil, mas fracassou.

"Eu sou do Centrão. Eu fui do PP, do PTB, do então PFL, no passado integrei siglas que foram extintas. O PP, lá atrás, foi extinto, depois nasceu novamente da fusão do PDS com o PPB, se eu não me engano. Agora, nós temos 513 parlamentares. O tal Centrão são alguns partidos que lá atrás se uniram na campanha do Alckmin e ficou, então, rotulado Centrão como algo pejorativo, algo danoso. Não tem nada a ver. Eu nasci de lá", declarou Bolsonaro à Rádio Banda B, de Curitiba, indicando ainda que deverá se filiar novamente ao seu ex-partido para disputar a reeleição.

A declaração de Bolsonaro é vista também como uma tentativa de se desvincular da pecha de "golpista", assumida em sua plenitude com as diversas ameaças de intervenção militar e, mais recentemente, com o "não vai ter eleição" em 2022 se não houver voto impresso. E um recuo no flerte com o rompimento democrático, ensaiado desde o início do governo, conforme deixou claro o famoso vídeo da reunião ministerial de 22 de abril de 2020 seguido da carta-ameaça do general Augusto Heleno, que falava em "consequências imprevisíveis".

Bolsonaro argumentou que a entrega do comando da Casa Civil ao líder do Centrão é necessária para ter uma base no Congresso e para "manter um diálogo melhor com o Parlamento" - algo que o presidente não valorizou até então, tendo priorizado militares em postos políticos eminentemente civis.

"São pouco mais de 200 pessoas. Se você afastar esse partidos de centro, sobram 300 votos para mim. Você afasta cento e poucos parlamentares de esquerda, eu vou governar com um quinto da Câmara? Não tem como governar com um quinto da Câmara. Agora, eu pretendo, dentro das quatro linhas da Constituição, buscar apoio dentro do Parlamento."

Jair Bolsonaro afirmou que vai ser reunir com Nogueira na segunda-feira.

"Realmente deve acontecer na semana que vem (a mudança no Ministério), está praticamente certo. Nós vamos colocar um senador na Casa Civil que pode manter um diálogo melhor com o Parlamento. Eu conversei com ele já e ele aceitou", disse.

Bolsonaro confirmou também a recriação do Ministério do Trabalho, com o nome de Ministério do Emprego e Previdência, que foi transformado em uma simples secretaria da pasta da Economia. Mais uma promessa de campanha - de "reduzir a máquina pública" - deixada de lado em nome de alianças com o Centrão, que terá, na figura do piauiense Ciro Nogueira, ex-aliado de Lula e de Dilma, duas tarefas, de imediato, no Senado: aprovar a indicação do candidato bolsonarista, o advogado-geral da União André Mendonça, para o Supremo Tribunal Federal e organizar a distribuição de emendas - o toma lá, dá cá - para garantir a vitória do governo em votações sensíveis às eleições de 2022. Para esta finalidade, ficará sob o comando de Nogueira o nefasto orçamento secreto, que só em 2021 são R$ 5,8 bilhões destinados a senadores dispostos a apoiar o governo Jair Bolsonaro.

"A Casa Civil é o nosso ministério mais importante, é o que trata inclusive da coordenação entre os ministérios. Então (Nogueira) é uma pessoa que nos interessa pela sua experiência e pode, no meu entender, fazer um bom trabalho", disse Bolsonaro.

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