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Flávio pagou R$ 600 mil a empresa que vende IA para manipular eleições

há 7 minutos
2 min de leitura

(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou comercializar no exterior um sistema de inteligência artificial para manipulação política clandestina, segundo reportagem do Intercept Brasil. O Partido Liberal também declarou ter destinado R$ 131,9 mil à companhia, que apresentou uma tecnologia capaz de segmentar eleitores e direcionar campanhas de desinformação.


Documentos obtidos pelo veículo descrevem uma operação que combinaria coleta massiva de dados, identificação de grupos de eleitores e disseminação direcionada de rumores. O sistema também previa a criação de contas falsas, avatares gerados por inteligência artificial, produção de deepfakes e uso de técnicas de guerra psicológica para desacreditar adversários.


A denúncia partiu de Vincent Edward Reed, empreendedor e tecnologista norte-americano que atuou como consultor da Elytron entre 2024 e 2025. O ex-colaborador afirmou que rompeu com a empresa depois de conhecer o sistema e considerar que a ferramenta poderia atingir eleitores com conteúdos manipulados. Reed também relatou ter denunciado a operação ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, mas disse que as apurações não avançaram.

A tecnologia chegou a ser apresentada a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 2024, acrescentou a publicação.


Sistema previa criação de opiniões e descrédito de adversários

A apresentação comercial da Elytron descrevia o cruzamento de dados sociais, políticos e econômicos para mapear demandas regionais, projetar cenários eleitorais e testar a eficácia de campanhas de comunicação. O documento também detalhava estratégias para identificar públicos e influenciar suas opiniões por meio da distribuição coordenada de conteúdos em redes sociais, blogs e veículos de imprensa.


Os registros de Flávio Bolsonaro no sistema DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, mostram que as notas fiscais descrevem os serviços como "consultoria em tecnologia da informação" e mencionam atividades de apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura. O PL justificou o gasto para serviços técnico-profissionais.


A reportagem também aponta conexões internacionais da empresa, que mantém registro em Portugal e relações comerciais com executivos ligados à Aleria, companhia de inteligência artificial dos Emirados Árabes Unidos.


No Brasil, a publicação identificou vínculos de dirigentes da Elytron com o empresário e influenciador Pablo Marçal, que passou a integrar a equipe de campanha de Flávio no fim de setembro, além de relações comerciais entre executivos da empresa e o lutador Renzo Gracie, aliado da família Bolsonaro.


De acordo com o Intercept Brasil, a campanha de Flávio negou ter contratado serviços que violem a legislação eleitoral e afirmou que o contrato se destinava à proteção de seus sistemas de comunicação. A Elytron, por sua vez, repudiou a associação de seu nome a operações clandestinas, deepfakes ou manipulação da opinião pública.


Da Sputnik Brasil

 
 
 

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