Lula chama Trump de 'imperador' e critica ataques contra a soberania

Em entrevista à CNN nos Estados Unidos, Lula criticou Donald Trump pelas tarifas impostas a produtos brasileiros e afirmou que o Brasil poderá recorrer à reciprocidade caso o país não queria negociar. O petista também chamou Eduardo Bolsonaro de "traidor da pátria" e disse que Trump não pode interferir nas eleições brasileiras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está em Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou que não concorda com a forma de governar do homólogo estadunidense Donald Trump durante entrevista à âncora da CNN Christiane Amanpour. Ao explicar sua crítica, voltou a descrever o republicano como um "imperador".
"Ele governa com a mentalidade de 'sou o mais forte, o mais poderoso, o mais rico, posso tudo e todos os outros devem obedecer'. É a lei do mais forte. Eu não concordo com isso", afirmou Lula ao canal.
O presidente brasileiro também criticou as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos do Brasil e disse que as medidas são "baseadas em mentiras". Lula afirmou que não quer iniciar uma guerra tarifária com os Estados Unidos e que pretende priorizar a negociação. "Nasci no movimento trabalhista e sindical justamente para negociar e buscar acordos. Farei todos os esforços para negociar", disse.
Se houver uma negativa do governo do país norte-americano, Lula afirmou que o Brasil terá de tomar providências com base na Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso. O presidente também disse que será necessário avaliar quais produtos poderiam ser incluídos em uma eventual aplicação da medida contra os EUA.
Porém, o petista também disse que o Brasil não busca desafiar o país, mas defender a soberania de cada Estado e manter uma relação de respeito. "O presidente Trump foi eleito para ser presidente dos EUA. Ele tem o direito de governar os EUA, mas não tem o direito de governar outros países. Ele não tem o direito de impor a sua vontade", acrescentou.
Interferência dos EUA nas eleições do Brasil
Na entrevista, Lula também afirmou que pediu a Trump para que os Estados Unidos não interfiram nas eleições brasileiras. Segundo o presidente, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) já enviou um alerta sobre o risco da medida, cujo relatório apontou "nível crítico".
A avaliação da agência considera que as ações dos Estados Unidos se intensificaram nos últimos meses. Conforme o órgão, o movimento é associado à estratégia adotada pelo governo de Donald Trump para a América Latina, que, segundo a Abin, tem entre seus objetivos reduzir a presença de potências consideradas rivais de Washington na região.
Mesmo assim, o petista lembrou que Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação diplomática de 203 anos e afirmou que o país não é antiamericanista.
Ao comentar a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Lula chamou o filho de Jair Bolsonaro de "traidor da pátria". O presidente afirmou que o ex-parlamentar atua para estimular os Estados Unidos contra o Brasil.
"Ele está aqui insuflando os Estados Unidos contra o Brasil. É isso que está acontecendo de concreto. Inclusive com o dinheiro que está vindo para cá, sabe, que logo, logo vai ser desvendado esse mistério do dinheiro do filme do pai do ex-presidente Bolsonaro", disse Lula.
Por fim, o presidente também afirmou que várias pessoas condenadas no Brasil estão escondidas nos Estados Unidos e tramam contra o país natal. Segundo Lula, o bolsonarismo mantém uma relação mais próxima com o secretário de Estado Marco Rubio.
Da Sputnik Brasil











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