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O adeus de Niterói a Paulo Eduardo Gomes

  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

Por Osvaldo Maneschy


Fiz questão de ir ao velório de Paulo Eduardo Gomes, colega de ginásio no Liceu Nilo Peçanha, onde nos conhecemos na longínqua década de 60 quando éramos adolescentes. Paulo partiu ontem à noite, após um câncer que o afastou há algum tempo do que mais gostava na vida – a luta política.



Paulo Eduardo, ou PEG, como ele também se identificava, travou todas as grandes lutas de nossa geração sempre alinhado ao lado certo da História. Nunca bateu palmas para a ditadura, que chegou quando ainda estávamos no Liceu em 1964.


Na época de Liceu, Paulo gostava também, muito, de música. Nós o chamávamos de “Trois” e ele tocava guitarra em um dos muitos conjuntos de Rock formados por alunos do Liceu. Era o auge do Beatles, que todos nós, então adolescentes, como praticamente todos adolescentes de nossa geração, amávamos. Terminado o Liceu disputamos no mesmo ano o vestibular da UFF – ele para Engenharia, eu para jornalismo.


Seguimos nossas vidas, casamos, tivemos filhos, fomos em frente nos encontrando eventualmente em Niterói. Ele na Embratel, engenheiro concursado, eu pelas redações da vida – primeiro o velho JB, rádio JB, depois O Globo e assessorias. Paulo sempre atuante na associação dos funcionários e no sindicato dos trabalhadores de  telecomunicações.


Até que a política entreguista das privatizações nos aproximou de novo. Eu, repórter da revista ‘Cadernos do Terceiro Mundo’, pautado por Neiva Moreira, meu chefe, de fazer uma matéria que seria de capa sobre as privatizações do período de FHC. Lembro da instrução do Neiva: “Quero um texto ouvindo todas as pessoas que deveriam ser ouvidas pela grande mídia e são boicotadas, não podem falar porque são contra as privatizações”. Queria que eu desse voz para os sindicatos, para os petroleiros, os trabalhadores de telecomunicações etc.


Não vacilei – procurei de cara Paulo Eduardo na Embratel, da mesma forma que procurei os engenheiros da Associação dos Engenheiros da Petrobras, os funcionários e técnicos da Vale do Rio Doce - e outros. A matéria ficou excelente, virou capa como planejado.


Não me afastei mais do Paulo. Juntos ajudamos o promotor João Baptista Petersen a exercer o seu mandato de vereador. Petersen, que tinha ajudado na campanha de Brizola,  Petersen que teve uma dedicação tão extrema ao seu mandato, que acabou ficando  doente por conta de um aneurisma e vindo a falecer.


Paulo Eduardo substituiu Petersen na Câmara de Vereadores de Niterói e combateu todos os bons combates. Honrou o mandato, honrou seus eleitores por sua postura ética, reta e sempre visando o bem público. Paulo Eduardo foi um vereador exemplar nos seis mandatos que exerceu.


Fundador do PT em Niterói, migrou para o PSOL e hoje, em seu velório na Câmara dos Vereadores de Niterói, lotou a casa – com amigos, eleitores e admiradores. 


Não faltaram na homenagem importantes lideranças do seu partido atual, o PSOL, cuja bandeira, junto com a do seu Botafogo, cobria o caixão. E como não podia deixar de ser, o velório foi um grande ato político: falaram entre outros os deputados Chico Alencar, Flávio Serafin, lideranças nacionais do PSOL como Heloísa Helena e Tarcísio, mais  a deputada Taliria, Clarice Chacon e familiares, como seu filho Gustavo, presente juntamente com sua irmã e seu irmão e muitos e muitos amigos, inclusive a colega jornalista Fátima Lacerda.


Gustavo agradeceu a presença de todos, falou da luta de PEG contra a doença, da qual jamais se queixou e travou, como não podia deixar de ser, mais um grande combate. Infelizmente a doença acabou vencendo e o que mais incomodou Paulo Eduardo, nessa reta final, foi não poder participar da atual campanha que foi obrigado a assistir pela televisão no leito do hospital. A doença venceu, mas Paulo Eduardo vai continuar vivo na memória de todos nós seus amigos e admiradores. PEG vive! PEG presente!


***


Sepultamento

Após a realização do velório neste domingo, 6, no Plenário Brígido Tinoco da Câmara Municipal de Niterói, que Paulo Eduardo Gomes frequentou assiduamente por seis legislaturas como vereador de Niterói (também foi candidato a prerfeito da cidade em duas ocasiões), o enterro acontece nesta segunda-feira, 7 de setembro.

A cerimônia de sepultamento, no Cemitério Parque da Colina – Capela 2 (Estrada Francisco da Cruz Nunes, 987 – Pendotiba, Niterói), tem início às 12h45 e encerramento às 14h45.

 
 
 

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Editor Assistente: Osvaldo Maneschy. Editor de Arte: Augusto Erthal (in memoriam).

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