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Portugal decide entre esquerda e extrema direita em 2º turno inédito

  • 8 de fev.
  • 3 min de leitura

O socialista António José Seguro (à esq.) e o líder da extrema direita André Ventura (à dir.) (Foto/Redes sociais)
O socialista António José Seguro (à esq.) e o líder da extrema direita André Ventura (à dir.) (Foto/Redes sociais)

Portugal está de volta às urnas neste domingo (8) em uma disputa inédita nas últimas quatro décadas. Pela primeira vez desde 1986, a eleição presidencial será decidida em segundo turno, colocando frente a frente o socialista (centro) António José Seguro e o líder da extrema direita, André Ventura.


A votação ocorre em meio a um cenário excepcional: uma sequência de fortes tempestades de inverno que atingiu diversas regiões do país provocou ao menos 14 mortes e mais de 10 mil ocorrências relacionadas ao mau tempo nas últimas semanas. A situação forçou o adiamento da votação em diversas freguesias entre as mais afetadas. Em Portugal, existem 22 círculos eleitorais no total (18 no continente, dois nas regiões autónomas e dois na emigração). O adiamento aconteceu em freguesias específicas de oito municípios (como Alcácer do Sal, Arruda dos Vinhos e Pombal), onde as tempestades tornaram impossível o acesso às urnas.


Com mais de 11 milhões de eleitores aptos a votar, o pleito acontece três semanas após o primeiro turno, realizado em 18 de janeiro. Na ocasião, Seguro liderou com cerca de 31% dos votos válidos, enquanto Ventura avançou para a segunda rodada com 23,49%. O próximo presidente tomará posse no início de março e sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, político de centro-direita que ocupa o cargo há uma década.


Pesquisas apontam favoritismo socialista

Levantamentos divulgados nas últimas semanas indicam vantagem para António José Seguro. Pesquisa do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop), da Universidade Católica Portuguesa, atribui 70% das intenções de voto ao candidato do Partido Socialista, contra 30% de Ventura, do Chega.


Apesar da diferença numérica, analistas observam que a ascensão da ultradireita no país, fenômeno que acompanha tendências em outras partes da Europa, transformou a disputa em um marco político, com repercussões para o sistema institucional português e para o equilíbrio entre os poderes.


Como funciona o poder no país

Portugal adota o modelo semipresidencialista, no qual o Poder Executivo é compartilhado entre o presidente da República e o primeiro-ministro. Cabe ao presidente garantir a ordem constitucional, intervir em momentos de crise e, se necessário, dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas antecipadas.


Já o primeiro-ministro concentra a condução cotidiana do governo: forma a equipe ministerial, apresenta projetos ao Legislativo, negocia com autoridades locais e toma decisões estratégicas, como o envio de tropas ou a participação em missões internacionais.


Dois projetos em confronto

António José Seguro, político e professor universitário, construiu carreira no interior do Partido Socialista. Já foi deputado, eurodeputado, secretário de Estado e ministro-adjunto, além de ter presidido a legenda por vários anos. Formado em relações internacionais e mestre em ciência política, apresenta-se como defensor da moderação política, da estabilidade institucional e do papel do presidente como guardião da democracia instaurada após a Revolução dos Cravos, em 1974.


Já André Ventura é jurista e fundador do partido Chega, criado em 2019. Ex-deputado e professor universitário, ganhou projeção nacional como comentarista de futebol e de assuntos judiciais na televisão. Sua candidatura é marcada por um discurso antissistema, ataques aos partidos tradicionais e propostas de ruptura com o modelo político vigente, posicionando-se como representante da insatisfação popular com as elites.


As urnas foram abertas às 08h02 no horário local (05h02 no horário de Brasília).


Do Brasil de Fato

 
 
 

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