STF suspende prisão preventiva do bicheiro Rogério Andrade


O contraventor Rogério de Andrade, foragido, obteve liminar do ministro Nunes Marques, do STF (Reprodução)

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu na sexta-feira (17) a prisão preventiva do bicheiro Rogério de Andrade, suspeito de ser mandante do assassinato, em novembro do ano passado, de Fernando Iggnácio, com quem disputava pontos de jogos ilegais no Rio de Janeiro. Sobrinho do falecido contraventor Castor de Andrade, Rogério era considerado foragido da Justiça desde o dia 12 de março.

A decisão de Nunes Marques atendeu um pedido de liminar feito pela defesa do suspeito foragido. De acordo com o despacho do ministro, não se pode admitir que "uma prisão preventiva seja decretada em desfavor de uma pessoa pelo simples fato de ser 'patrono de escola de samba' ou mesmo empregador e/ou ex-empregador de um e/ou alguns demais acusados, sem que estejam minimamente identificados o nexo de causalidade entre a conduta a ele imputada e o dano causado".

Rogério de Andrade é patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cujos seguranças são acusados de terem praticado o crime - dos quatro acusados, apenas um está preso.

Disputa sangrenta

Desde a morte de Castor de Andrade, de infarto, em março de 1997, a família Andrade vive numa batalha sangrenta pelo espólio do antigo chefe da contravenção. A partilha dos negócios do jogo do bicho e das máquinas de caça-níqueis contemplava o filho Paulo Roberto Gonçalves de Andrade, o Paulinho de Andrade, e o genro Fernando Iggnácio de Miranda. Os sobrinhos Rogério, Renato e Rivaldo, filhos do irmão João Carlos Andrade, mantinham seu quinhão no império.

Um ano e sete meses após a morte de Castor, Paulinho foi assassinado na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Rogério Andrade assumiu o poder sobre os jogos, iniciando então a guerra com Fernando Iggnácio. Foram registrados dezenas de assassinatos durante mais de uma década pelas ruas da Zona Oeste da cidade.

Em maio de 2002, Rogério Andrade foi condenado a 19 anos e 10 meses de reclusão, pelo Tribunal de Júri do Rio de Janeiro, como sendo "mentor intelectual" do assassinato do primo, Paulinho. Posteriormente, o julgamento foi anulado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele ficou preso entre setembro de 2007 e junho de 2010, dividindo a mesma ala de Bangu I com o rival Fernando Iggnácio.

A disputa envolveu também dezenas de policiais civis e militares, levando à condenação dos dois contraventores e 11 policiais, em janeiro de 2009, pelos crimes de formação de quadrilha, contrabando e contravenção. Entre os agentes, três eram ligados a Álvaro Lins, ex-chefe da Polícia Civil e ex-deputado estadual.

Em 2010, Rogério foi alvo de um ataque na Barra da Tijuca. Quem acabou morrendo no atentado, no entanto, foi o filho de Rogério, de 17 anos, que dirigia o carro do pai, no qual foi colocada uma bomba.

Em 10 de novembro de 2020, Fernando Iggnácio foi executado com tiros de fuzil no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste, quando voltava de Angra dos Reis. Quatro suspeitos foram identificados e um deles está preso.

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