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Uma esquerda que ataca e não propõe - Por Brizola Neto e Juliana Brizola

Por Brizola Neto* e Juliana Brizola**

Juliana e Bizola Neto

Estamos diante de um dos piores e mais nevrálgicos momentos da República. O desserviço cotidiano do pior governo da história da nação nos impõe o dever de uma oposição firme e enérgica. Nesse cenário, os ataques que o trabalhismo recebe não são exatamente retaliação do governo, como poderíamos esperar, mas daqueles que tiveram a chance de transformar o nosso país, e não o fizeram.

Lula e o PT andam muito preocupados com o crescimento de Ciro Gomes. Eles não estão acostumados a ter oposição pela esquerda. Não estão, mas precisam. Voltaram com uma prática antiga e suja da velha política: não contraporem a mensagem, no caso o Projeto Nacional de Desenvolvimento, mas procuram desqualificar o interlocutor, Ciro Gomes. Eles citam a ida para Paris no segundo turno e dizem que o projeto de Ciro está aliado à direita. Será mesmo?

Lula precisa explicar ao povo brasileiro porque durante os oito anos de seu governo, manteve Henrique Meirelles como Presidente do Banco Central e Antonio Palocci seu Ministro da Fazenda. Mas, mais do que isso, precisa explicar por que deu continuidade ao programa de FHC, mantendo o tripé macroeconômico criado por Armínio Fraga: superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante que destruiu a indústria nacional e aprofundou nossa condição de economia colonial agroextrativista, dependente das importações de produtos manufaturados vindos do exterior.

Lula precisa explicar por que se aliou com as aves de rapina da República como Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Eunício de Oliveira, Geddel Vieira Lima, Sarney e tantos outros para ser a base de sustentação de seu governo. Mais que isso, ele lhes entregou ministérios e cargos estratégicos do Governo Federal, como as diretorias da Petrobrás. Importante lembrar que muitos nomes aliados e promovidos por Lula foram protagonistas na queda de sua sucessora, Dilma Roussef. Como dizia Leonel Brizola: isso é o que Lula e o PT sempre foram, “uma galinha que cacareja para esquerda mas põe todos os seus ovos para a direita”.

Vejam só, eles não explicam nada disso e é por isso que Ciro incomoda. Ele coloca o dedo na ferida, questiona o modelo econômico neoliberal adotado por Lula e o pacto político corrupto que montou para sustentá-lo. Ciro não tem rabo preso e nem responde por qualquer processo de desvio ao erário público, para piorar o cenário para os Lulopetistas.

Por que Lula teima em se ausentar do que seria, hoje, o grande debate nacional em torno do nosso modelo de desenvolvimento e do rentismo que alimenta a banca na mesma medida em que alastra a fome nas cidades brasileiras? Talvez seja pelo medo de perder o apoio declarado da herdeira do maior banco do país. Certamente Maria Alice Setúbal, filha do dono do Itaú, não fala só em nome próprio ao dizer que votará em Lula para presidente. "Éramos felizes e não sabíamos", suspiram pelas esquinas da Faria Lima. Atualmente, esse é um endereço mais familiar a Lula do que as ruas de São Bernardo do Campo.

Passados quase quatro mandatos de governos do PT, tudo o que está aí nos leva a crer que eles não aprenderam a lição. Não entendem que um país não consegue distribuir a riqueza que não produz. Não conseguem entender que não há justiça social sem crescimento econômico, mas não há crescimento econômico duradouro sem soberania. Esses são alguns dos principais ensinamentos do trabalhismo. Ciro e o PDT tem um projeto nacional de desenvolvimento para o Brasil, já Lula e o PT....


* Ex-deputado federa, ex-ministro do Trabalho e atual coordenador de Trabalho e Renda da Prefeitura de Niterói

** Deputada estadual pelo Rio Grande do Sul

NR - Netos do ex-governador Leonel Brizola

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