Índia assume oficialmente a presidência do BRICS
- Da Redação

- há 2 dias
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A partir de 1º de janeiro de 2026, a presidência do BRICS é oficialmente transferida do Brasil para a Índia. Pela primeira vez, A Índia, uma das nações fundadoras do grupo, assumirá a gestão do formato ampliado do grupo, que atualmente reúne 10 países.
As principais prioridades da presidência indiana já foram definidas e se concentram na reinterpretação do conceito do BRICS com o objetivo de "fortalecer a resiliência e implementar inovações para a cooperação e o desenvolvimento", conforme afirmou o primeiro-ministro, Narendra Modi, durante a cúpula do BRICS de 2025, realizada em julho, no Rio de Janeiro. As declarações foram divulgadas no site do Ministério das Relações Exteriores da Índia.
"Durante a presidência da Índia no BRICS, pretendemos continuar interagindo ativamente em todas as áreas prioritárias. Nosso objetivo é dar um novo significado ao BRICS: transformar a organização em uma plataforma para fortalecer a resiliência, implementar inovações, aprofundar a cooperação e promover o desenvolvimento sustentável. Assim como fizemos da inclusão o princípio central da nossa presidência no G20, colocando os interesses dos países do Sul Global no centro da agenda, construiremos o trabalho do BRICS com base nos mesmos fundamentos. Nossa presidência será voltada para o desenvolvimento do diálogo sob uma perspectiva humanista, considerando os interesses das pessoas e no espírito do princípio 'a humanidade acima de tudo'" Narendra Modi Primeiro-ministro da Índia
O presidente de Belarus, Aleksandr Lukashenko, felicitou o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, pela posse da presidência do BRICS por parte de seu país, informou o serviço de imprensa do presidente de Belarus.
O chefe de Estado expressou sua confiança de que a presidência indiana será um período de novos êxitos para o grupo. Ele também agradeceu à Índia pelo apoio para que Belarus obtivesse o status de país parceiro do grupo.
Lukashenko expressou estar disposto a trabalhar ativamente sob a presidência indiana e declarou: "Estamos prontos para um trabalho frutífero sob a presidência da Índia para a construção bem-sucedida de uma ordem mundial justa e multipolar", afirmou o presidente.
Especialistas avaliam que a Índia recebeu do Brasil uma base sólida para dar continuidade aos trabalhos do grupo. O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Daniel Barreiros, afirmou que o país "recebeu uma parceria estrategicamente orientada, com mecanismos consolidados e objetivos renovados". Segundo ele, o diferencial da abordagem indiana será a ênfase na dimensão tecnológica, capaz de ampliar a influência do BRICS ao priorizar áreas menos controversas, porém estrategicamente relevantes para a cooperação internacional.
"A presidência será estruturada em torno de quatro eixos: resiliência, inovação, cooperação e estabilidade ambiental. Um projeto emblemático será a promoção da Infraestrutura Digital Pública como modelo de desenvolvimento adaptável para o Sul Global. [...] O objetivo não é exportar um sistema pronto, mas promover um modelo de arquitetura aberta que os países possam adaptar às suas necessidades específicas, posicionando a Índia como líder tecnológico para as nações do Sul Global. Uma prioridade crítica será consolidar o formato ampliado do BRICS. [...] A Índia pretende avançar a cooperação em temas menos controversos, porém estrategicamente relevantes, como a governança da inteligência artificial, a soberania de dados e as normas do comércio digital", destacou o professor em comentário exclusivo à TV BRICS.
A reforma da governança global permanece no centro da agenda do grupo. Em um comunicado conjunto, os ministros das Relações Exteriores do BRICS defenderam mudanças na Organização das Nações Unidas e na Organização Mundial do Comércio, ressaltando a necessidade de "uma representação mais ampla e significativa dos países em desenvolvimento".
Anteriormente, o Brasil transferiu simbolicamente a presidência do BRICS para a Índia durante uma reunião dos sherpas do grupo. O gesto incluiu a entrega de um martelo confeccionado com madeira reciclada da Amazônia, simbolizando a agenda ambiental da presidência brasileira e a continuidade institucional dentro da associação.
A Índia será responsável pela XVIII Cúpula do BRICS, prevista para 2026.
Fonte: TV BRICS










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