728x90_2.gif

Túnel piora trânsito no 1º dia


O que era para ser solução se revelou frustraçãol. O túnel Charitas-Cafubá, inaugurado sábado (06/05) pelo prefeito Rodrigo Neves como o grande marco da sua administração, mostrou-se um fracasso na promessa de proporcionar maior fluidez ao trânsito caótico de Niterói no seu primeiro dia útil de operação. Ao invés de proporcionar um deslocamento mais rápido para o trabalho dos moradores da Região Oceânica, o horário do rush matutino de ontem (8) foi duplamente infernal para motoristas e passageiros, que gastaram até o dobro do tempo normal de viagem.

A prefeitura alegou problemas na ponte Rio-Niterói e um acidente no cruzamento das ruas Miguel de Frias e Marques de Paraná - fatos corriqueiros no cotidiano da cidade - para justificar o trânsito praticamente estagnado no principal corredor viário da Zona Sul. No entanto, motoristas que fazem diariamente o percurso de São Francisco ao Centro de Niterói acusaram um aumento de quase 100% do tempo de deslocamento. No horário entre 7 e 8 horas, a lentidão registrada entre o restaurante A Mineira (Praça Santos Dumont), em São Francisco, e a saída do Túnel Raul Vidal, em Icaraí, ou seja, um percurso de cerca de apenas um quilômetro, foi de quase uma hora.

O resultado palpável de um investimento de R$ 280 milhões, que hoje estima-se já em R$ 320 milhões e que desabará sobre a cidade na forma de um endividamento cruel, cuja fatura curiosamente só será cobrada depois que Rodrigo Neves deixar o governo, deixa já na sua inauguração um sabor amargo na boca dos niteroienses. Era uma decepção esperada. O ex-prefeito Jorge Roberto Silveira foi dissuadido pelo urbanista Jaime Lerner a furar o túnel Charitas-Cafubá antes de tomar outras medidas viárias mais urgentes (tema de matérias em produção pelo TODA PALAVRA a serem publicadas em suas próximas edições).

Mas o anseio por factóides do alcaide niteroiense falou mais alto. É o mesmo instinto que o levou a prometer levianamente, durante a campanha em sua primeira eleição, a inauguração do mergulhão da Rua Marquês de Paraná em apenas seis meses. A promessa foi cumprida e hoje o mergulhão está sob escoras, embora a prefeitura não tenha ainda assumido perante a população a verdadeira extensão dos riscos estruturais existentes ali.

"P" de Pimentel

No caso do túnel Charitas-Cafubá, a nota triste que, mais do que o trânsito infernal, ofendeu aos niteroienses, sobretudo àqueles ligados ao movimento literário da cidade que simboliza o próprio berço da literatura brasileira: o descaso à memória de Luís Antônio Pimentel, que dá nome a uma das galerias do túnel (a outra foi batizada com o nome do ex-prefeito João Sampaio). Nascido em Miracema, no interior fluminense, Pimentel - como era conhecido e tratado por toda a sua legião de amigos, leitores e admiradores - era um apaixonado por Niterói, tornando-se um de seus maiores memorialistas. Foi o introdutor do cânone do haicai no Brasil e um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea, embora ainda à espera do reconhecimento que lhe é devido.

Pimentel morreu em Niterói em 2015, aos 103 anos de idade. A placa afixada na entrada da galeria que deveria homenageá-lo registra desrespeitosamente: "Túnel Lúís Antônio P."

Foto: Engarrafamento na Praia de Charitas na manhão de segunda-feira (08) - Coluna do Gílson (http://colunadogilson.com.br/tunel-congestiona-zona-sul-de-niteroi/)

#Niterói #TúnelCharitasCafubá #RodrigoNeves #JaimeLerner #RegiâoOceânicadeNiterói #TrânsitocaóticodeNiterói #EngarrafamentoemNiterói