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Lula critica a ONU e desconversa sobre Zelensky


Lula ao lado do presidente dos EUA, Joe Biden, na cúpula do G7, em Hiroshima (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (20) seu primeiro discurso de cúpula do G7, em Hiroshima, no Japão, onde o Brasil participa como convidado e que conta com a participação de lideranças políticas de 15 países, além da União Europeia. Lula criticou o "protecionismo dos países ricos" e defendeu uma reforma no Conselho de Segurança da ONU.


Durante o encontro chamado "Trabalhando Juntos para Enfrentar Múltiplas Crises", Lula disse que há "enfraquecimento do sistema multilateral de comércio".


"A Organização Mundial do Comércio permanece paralisada. Ninguém se recorda da Rodada do Desenvolvimento. Os desafios se acumularam e se agravaram. A cada ameaça que deixamos de enfrentar, geramos novas urgências", afirmou.


O presidente também afirmou não ver sentido em convidar países emergentes para discutir "crises múltiplas" sem que essas nações estejam "adequadamente" representadas em órgãos de governança global.


“Não faz sentido conclamar os países emergentes a contribuir para resolver as crises múltiplas que o mundo enfrenta sem que suas legítimas preocupações sejam atendidas e sem que estejam adequadamente representados nos principais órgãos de governança global", afirmou.


"A solução não está na formação de blocos antagônicos ou respostas que contemplem apenas um número pequeno de países. Isso será particularmente importante neste contexto de transição para uma ordem multipolar, que exigirá mudanças profundas nas instituições”, disse Lula.


O presidente brasileiros disse que nenhum país poderá enfrentar sozinho as ameaças “sistêmicas da atualidade” e que os países precisam ter suas vozes ouvidas para que o mundo possa resolver suas “crises múltiplas”.


"A consolidação do G-20 como principal espaço para a concertação econômica internacional foi um avanço inegável. Ele será ainda mais efetivo com uma composição que dialogue com as demandas e interesses de todas as regiões do mundo. Isso implica representatividade mais adequada de países africanos”, completou durante o discurso.


Ao falar do Conselho de Segurança da ONU - órgão com poder de tomar importantes decisões internacionais e que reúne hoje apenas Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -, Lula declarou que só com uma reforma na instituição, a ONU terá "autoridade política e moral para lidar com os conflitos do século XXI".

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“Sem reforma de seu Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes, a ONU não vai recuperar a eficácia, autoridade política e moral para lidar com os conflitos e dilemas do século XXI. Um mundo mais democrático na tomada de decisões que afetam a todos é a melhor garantia de paz, de desenvolvimento sustentável, de direitos dos mais vulneráveis e de proteção do planeta. Antes que seja tarde demais.”


Bem-estar

No discurso, Lula também criticou o enfraquecimento do sistema multilateral do comércio e o protecionismo adotado pelos países ricos.


“A Organização Mundial do Comércio permanece paralisada. Ninguém se recorda da Rodada do Desenvolvimento. Os desafios se acumularam e se agravaram. A cada ameaça que deixamos de enfrentar, geramos novas urgências. O mundo hoje vive a sobreposição de múltiplas crises: pandemia da covid-19, mudança do clima, tensões geopolíticas, uma guerra no coração da Europa, pressões sobre a segurança alimentar e energética e ameaças à democracia”


Segundo o presidente, para enfrentar essas ameaças “é preciso que haja mudança de mentalidade. É preciso derrubar mitos e abandonar paradigmas que ruíram”.

Ele afirmou, ainda, que o sistema financeiro global precisa estar a serviço da produção, do trabalho e do emprego.


Para ele, o endividamento externo que assola países como a Argentina causa uma “desigualdade gritante e crescente” e, por isso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) precisa considerar as consequências sociais em políticas de ajuste.


“Desemprego, pobreza, fome, degradação ambiental, pandemias e todas as formas de desigualdade e discriminação são problemas que demandam respostas socialmente responsáveis. Essa tarefa só é possível com um Estado indutor de políticas públicas voltadas para a garantia de direitos fundamentais e do bem-estar coletivo”.


Índia, Brasil e em encontro com Zelensky

Na sexta-feira (19) foi divulgado que o governo ucraniano solicitou ao Itamaraty um encontro particular entre o presidente, Vladimir Zelensky e Lula.


Entretanto, ao ser indagado se encontraria ou não com o líder ucraniano, o mandatário brasileiro desconversou e disse apenas "não sei", segundo o Globo.


O governo brasileiro já divulgou a agenda de Lula para o domingo (21), último dia de atividades da cúpula do G7, sem previsão do encontro entre os presidentes do Brasil e da Ucrânia, segundo o G1. O pedido ocorre uma semana após o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, participar de uma reunião com Zelensky em Kiev, na Ucrânia.


Após decidir ir pessoalmente ao encontro, foi amplamente divulgado que um dos focos do presidente ucraniano seria "fazer pressão" nos governos de Índia e Brasil, os quais, até agora, optaram pela neutralidade diante do conflito Rússia e Ucrânia.


Já o lado indiano, representado pelo premiê Narendra Modi, decidiu encontrar com Zelensky. As duas autoridades se encontraram neste sábado (20) à margem da cúpula.


Modi, que até agora se recusou a condenar a operação russa, disse que a Índia faria "tudo o que pudermos" para ajudar a acabar com o conflito.


"A guerra na Ucrânia é um grande problema para o mundo inteiro. Também teve muitos efeitos em todo o mundo. Mas não considero que seja apenas uma questão de economia ou política. Para mim, é uma questão de humanidade", afirmou Modi citado pela CNN.


De sua parte, Zelensky convidou Modi a se juntar aos esforços de paz da Ucrânia para encerrar o conflito com a Rússia.


Com informações da Agência Brasil e Agência Sputnik

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