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Marco Aurélio: deputados prestarão contas em 2022, se soltarem o fanático

  • 18 de fev. de 2021
  • 2 min de leitura

Com a máscara na mão, deputado preso chega ao IML do Rio para fazer o exame de corpo de delito (Reprodução)

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (18) que, se a Câmara "virar as costas ao povo brasileiro", afastando a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), parlamentares "prestarão contas" nas eleições de 2022.

O ex-soldado da PM do Rio, eleito pela primeira vez em 2018 na onda bolsonarista, foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes na noite de terça-feira, após publicar vídeo com ameaças e ofensas ao STF e seus ministros.

Marco Aurélio ressaltou que a regra estipula que os deputados podem deliberar sobre o caso, mas defendeu a manutenção da prisão, chamando o parlamentar do PSL de "fanático" e "populista".

"Se por acaso, a Câmara dos Deputados, a meu ver, virar as costas ao povo brasileiro, afastando a prisão desse moço, um populista de direita, fanático e, portanto, de uma agressividade ímpar, eu diria superexagerada, os deputados prestarão contas nas eleições de 2022 aos eleitores", disse o ministro.

Marco Aurélio disse textualmente que "não fuma o cachimbo da paz" e rejeitou negociações com os deputados.

"Sempre atuei assim dando soco em ponta de faca e pegando no pesado porque eu não sou locutor de assessor, eu trago processos para casa. Não ocupo uma cadeira voltada às relações públicas", afirmou, destacando ainda que, a essa altura, "ninguém coloca em dúvida a periculosidade do preso". O ministro procurou deixar claro que sempre defenderá a liberdade de expressão, mas afirmou que isso não isenta os indivíduos de responsabilidade.

"A liberdade de expressão não isenta àquele que a utiliza de responsabilidade, quer no campo civil, quer no campo administrativo , quer no campo penal. E nós vivemos em sociedade, em sociedade que pressupõe humanidade, civilização e respeito mútuo", ponderou.

Na quarta-feira, o caso foi apreciado pelo plenário do STF, que, por unanimidade (11 votos a 0), decidiu manter a prisão do deputado, que, no mesmo dia, também foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por agressão verbal e coação.

Nesta quinta, Silveira teve sua prisão em flagrante mantida, durante audiência de custódia com o juiz Airton Vieira, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes. O magistrado determinou a transferência do preso da carceragem da Polícia Federal para o Batalhão Especial da Polícia Militar do Estado do Rio, citando que essa escolha se devia ao fato de o local ter instalações mais adequadas para a prerrogativa do seu cargo.

No entanto, conforme determina a lei, a Câmara dos Deputados decidirá nesta sexta-feira (19), às 17h, em votação nominal e aberta, se Silveira deve permanecer preso ou não.

 
 
 

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